O antes do despertar

by - 21:20




Eu estava ali. Será que estava mesmo? Minha mente vagava por muitas cenas repetidas.
Eu não sabia o que fazer. Não sabia se o que estava fazendo valia a pena. Se valia o risco.
Será que eu estava pronta? Será que um dia estarei pronta?
Não sei.
E a angústia foi tomando conta do meu peito.  – Já se sentiu assim?
Eu me via sozinha, insegura, sem força, medrosa, perdida. E era difícil gostar de mim me sentindo assim.
Havia saído de um relacionamento para adentrar num relacionamento comigo mesma. Mesmo que não soubesse.
Um sonho veio: eu estava no velório do meu ex, mas não cheguei a ver seu corpo. Ninguém chorava. Me levaram para um calabouço onde haviam 4 leões – 2 leões e 2 leoas – e me trancaram lá. Eles pareciam famintos. Sem hesitar caminhei até o centro, juntei minhas mãos como uma prece, mas no sonho o intuito era formar um triângulo que através das minhas mãos trocaria energia.
Disse três vezes em voz alta: me ajuda. Me ajuda. Me ajuda.
E então estiquei minhas mãos para frente e carinhosamente vieram um leão e uma leoa, cada um acariciando uma das minhas mãos.
A cela então se abriu.
Isso me lembra uma música de quando eu dançava na igreja. Foi uma das primeiras músicas que realmente me levaram a sentir a forte presença de Deus.
Ela dizia: “Se tentaram matar os teus sonhos sufocando o teu coração. Se lançaram você numa cova e ferido, perdeu a visão. Não desista, não pare de crer, os sonhos de Deus jamais vão morrer. Não desista, não pare de lutar, não pare de adorar. Levanta teus olhos e vê: Deus está restaurando os teus sonhos... e a tua visão. Recebe a cura, recebe a unção. Unção de ousadia, unção de conquista, unção de multiplicação”.
O que esse sonho significa pra mim?
Eu só fui entende-lo num outro momento. Mais pra frente na minha jornada de autodescoberta, fui fazer um exercício de respiração holotrópica e tive uma experiência surreal, que começou com a explicação desse sonho.

Eu estava no velório do meu ex por uma questão simbólica bem óbvia, nosso relacionamento havia chegado ao fim, a essa morte de ciclo. Como não cheguei a ver seu corpo, nem ninguém estava chorando, por mais que fosse um velório, a energia não estava pesada. Era como se fosse o que tinha que acontecer. Depois da cena, me levaram a um calabouço com leões famintos. O calabouço é uma representação do meu inconsciente, e os leões, a parte animal, instintiva que ali estava precisando ser alimentada, algo também da minha própria maestria, força e exuberância.
O 4 é um número importante, é um número considerado perfeito, sagrado, e um dos símbolos da cruz. A soma de 1111 dá a integração de soma = 4. Além disso, eram dois casais de bichos, representando o feminino e o masculino. Estar nessa cova era algo que eu precisava superar, achar um jeito de lidar para sobreviver. Mas no sonho, eu não hesitei. Fui para o centro da sala, ou seja, o meu próprio centro, e três vezes clamei, como num mantra, sem direcionar à ninguém, simplesmente pedi ajuda para o universo: me ajuda, me ajuda, me ajuda. O 3 representa o triângulo. Lembro de no sonho ter pensado em juntar as mãos para formar um triângulo, de alguma forma sabia que aquilo seria um canal de troca energética. E quando as estendi, vieram o casal de leões que formaram um triângulo comigo, eu era o terceiro elemento. O 3 também simboliza a unidade divina, pois é a santíssima trindade. Só depois dessa integração entre o feminino e o masculino comigo ao centro, a porta do calabouço se abriu e eu estava livre. Livre para ser quem eu era.
O sonho era quase uma profecia do meu processo de individuação. Mas naquele momento, que eu ainda não havia o compreendido, eu ainda me sentia nesse calabouço. Sem saída.
Lembro que estava me preparando para cantar e nada do que eu fazia estava bom ao meu ver. Estava desconectada do meu corpo, da minha voz. Minha autoestima estava baixa e eu ainda estava carregada de crenças de que era incapaz e não merecia dar certo.
Foi então que certo dia, no meio desse caos, eu lembro de colocar músicas para tocar e fui tomar um banho. Esse banho foi mais do que uma limpeza física.
A música dizia: Você vai dançar? Você vai chorar? Isso é a sua vida. Você vai ficar fazendo planos? Você vai tentar? Isso é a sua vida. É eu sei, você viu algumas coisas, mas você não esperava ninguém pra te ajudar. Escute bem, porque o que você guarda nunca vai te deixar. Isso só vai deixa-lo nas longas noites de casacos frios, procurando o silêncio que você não pode ter. Só leva alguns meses para você saber tudo o que você ama. E mesmo que agora você não consiga olhar para você mesmo, chorando até que a água quente se esgote. O corte é a única maneira de você achar o que você guarda por dentro. Toda vez vejo que estou cometendo os mesmos erros porque toda eu acho que finalmente encontrei meu caminho. São sempre as memórias que tornam isso difícil de mudar. É apenas uma memória.”

Escutar essa música foi como um grande choque de realidade. Eu chorava tanto. Aquilo tinha ressoado comigo em cada palavra, em cada segundo, em cada sentimento. Era minha vida. O que eu faria com ela? A minha essência nunca iria me deixar, mas enquanto ela estivesse “adormecida”, apenas pela dor, pela crise, ela seria capaz de se expressar para que eu visse os meus padrões de repetição e pudesse transformá-los, ressignificando memórias e um passado de traumas e medos. Mas a decisão estava em minhas mãos. E esse é um processo solitário. A minha vida se torna aquilo que eu escolho que ela se torne. Essa letra pareceu uma mensagem de um anjo, sussurrando no meu ouvido o que eu precisa ouvir. Também quase como uma profecia, dizia "leva uns meses pra você saber tudo o que ama" e sim, a minha jornada foi justamente descobrir sobre o amor. O despertar é sobre isso! Sobre descobrir as infinitas possibilidades de ser através do amor. É sobre se conhecer e amar cada parte sua que te faz inteiro, inclusive sua sombra. É sobre uma dor que não dói, mas que é necessária: a de encarar-se, de se autorresponsabilizar por si-mesmo.
As lágrimas escorriam e me purificavam.
De repente, comecei a cantar. Aquela limpeza havia desbloqueado algo da minha essência, certo? E minha essência quer cantar! A letra vinha sem que eu pensasse, era uma canalização. Eu escrevi a letra no box do banheiro e repeti várias vezes: “Deus, me ajude a ser eu mesma. Tem alguém novo, ninguém mais. Eu tentei tanto não desistir... O que fiz até agora não foi o suficiente.”
Uma súplica.
À minha essência.
E eu fui ouvida.

Pra vocês que estão iniciando essa jornada, o que posso dizer é: não é fácil, mas é transformador. Além de tudo, o amor é libertador: liberta a dor.
Veja suas crises como oportunidades de renascer. Deixe morrer o que precisa ser morto para renascer como uma fênix das cinzas.
O caminho de se tornar quem é é um ato revolucionário que mudará o mundo! Escolha ser amor.
Relembre.
Tudo isto está dentro de você porque é você.
Nós somos o Todo e o Todo habita em nós.
Somos expressões do infinito, manifestações divinas!
Reconecte-se.

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