Minha viagem ao Peru - 2

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Continuando o post anterior, após a nossa prática de yoga e meditação, demos as mãos e formamos um círculo. A mão esquerda por baixo recebendo energia, e a mão direita por cima para enviá-la. Foi a primeira vez que efetivamente estávamos sentindo a energia do grupo. Me veio o mantra Shekinah Esh, que inclusive foi um projeto que estava acontecendo no instagram do @luzdaconsciencia e significa o fogo ardente do coração de Deus, e foi exatamente este fogo que invoquei. Minhas mãos começaram a vibrar e esquentar muito. Eu sentia a energia circulando, mas muito mais forte do que algum dia já senti. Comecei a rir e a chorar, ambivalência de sentimentos que paradoxalmente coexistem. De repente, senti uma força enorme pressionando a região do meu útero, tão forte, mas tão forte, que eu quis me ajoelhar e encolher. Mas não doía. Em nenhum momento senti dor. Foi uma poderosa força que fazia tudo adormecer, ao mesmo tempo que parecia que tudo se expandia, não sei explicar. O mais próximo que consegui me lembrar que vivi algo parecido, foi quando eu ainda era criança e frequentava a igreja, um dia senti isso e caí no chão, eles davam o nome de unção. Minhas mãos começaram a pesar e eu senti que elas tomavam conta do espaço inteiro. Nada do que eu disser aqui vai chegar perto do que eu senti ali. Foi então que todas as mulheres vieram e me abraçaram. Só de lembrar meus olhos se enchem de lágrimas. Um pouco dessa força foi se dividindo entre nós, mas mesmo depois quando acabou, eu não parava de tremer. Mal sentia meu corpo. 
Mahê me levou para seu quarto e deitei na cama, perguntou o que estava sentindo e eu disse que me disponho completamente a ser instrumento nas mãos do Todo, mas que dessa vez veio muita energia e eu não estava sabendo lidar muito bem. Ela disse que o yoga me ajudaria muito a trabalhar meu corpo pra isso e pegou três óleozinhos. Primeiro passou um no chakra da garganta, depois passou o outro no meu terceiro olho e magicamente quando ela passou o do chakra coronário parece que o canal foi selado e meu corpo se aquietou instantaneamente. Afinal, o chakra coronário é o portal que nos conecta com o mundo espiritual.
Lembram do post sobre o Kin? Tem um outro site que dá pra você calcular o kin e ele também dá o chakra que você tem mais afinidade e mais aspectos sobre a sua Onda Encantada: https://www.casa-indigo.com/calcula-kin/
E o meu é??

O coronário, óbvio. 
Descansei depois disso e fui conversar pelo whats com o Sam. Ele me disse que teve vários insights depois de ter visto uma foto minha e da Gabi no Peru. O Sam é bem intuitivo e tem algum dom com sonhos que ele sempre sonha com alguma coisa que acontece depois. Ele me disse que um dia sonhou comigo no Peru e que tinha uma menina de blusa amarela, a Gabi, e que eu tinha ido pra lá para descobrir minha força (minha carta do tarô zen do Osho também disse isso). Aliás, foi ele quem me lembrou de uma coisa muito importante. Vocês lembram do post que eu fiz sobre o ritual de Sabbat que eu fui na escola de magia em junho? Pra quem não lembra tá aqui nesse post! Nesse ritual teve a parte do oráculo e eu caí com uma mulher que era quem??? Pachamama (lá cada um recebe um apelido de acordo com a sua energia) e ela teve uma visão de uma mulher de cabelos de fogo (eu) que era muito forte e me disse que eu tinha que assumir essa força. Pois é, logo depois do ritual eu tive o sonho com a fênix, mas ela estava cinza e precisava morrer, mas eu a protegia. Basicamente eu entendi que precisava deixar uma parte minha morrer pra renascer forte e poderosa, bancando o brilho da minha essência. Em junho eu não tinha noção de que iria viajar pro Peru.
Enfim, seguindo a programação do retiro, o que teria na nossa primeira noite? UM RITUAL PARA PACHAMAMA! hhahahaha juro, eu me surpreendo muito com as sincronicidades do universo.
Vanise nos disse que viria um casal preparar o ritual. A mulher, Tárika, sacerdotiza, tinha Pachamama no olhar, e seu marido, Jose Luis, é um Xamã com o rosto tradicional dos ancestrais incas. Eles levaram seu casal de filhos, fofíssimos por sinal.




Primeiramente nós fomos purificadas. O xamã nos defumou com a fumaça de palo santo, depois com uma pena gigantesca de Condor nos limpou, e por último, selou nosso campo com água florida. Sentamos em círculo e Tárika conduziu o ritual. Nos explicou quem era Pachamama, a Natureza que nos nutre, que nos acolhe, nossa grande mãe. Ela é a força criativa que criou tudo o que há, e sem a força masculina da ordem, a natureza não pararia de criar nunca e teria cachoeiras brotando por todos os lados, flores em todos os cantos, enfim... Ela é o princípio feminino altamente adorado pela cultura andina, bem diferente da típica cultura ocidental centrada na figura paterna e fálica. Ela é o amor. O amor ao próximo e o amor próprio. Ela é a arte, a música, a poesia. Enquanto Tárika preparava com flores, comidas, e objetos simbólicos que representavam o casamento alquímico, nós não parávamos de cantar. É muito interessante como essa cultura equilibra os princípios feminino e masculino, sempre integrando aspectos da lua e do sol, da mulher e do homem, do caos e da ordem. Temos muito o que aprender com eles. Também foi nos ensinado sobre a coca, planta sagrada para este povo. Preparamos um presenta à Pachamama com 4 folhas de cocas, escolhidas a dedo por cada uma, colada com banha, e oferecida primeiramente com um agradecimento e depois um pedido, pois antes de pedirmos qualquer coisa, precisamos agradecer o que já temos. Agradeci pela minha vida, pela existência de cada um ali presente e por tudo que Pachamama nos dá. Pedi que toda sombra do mundo se transformasse em luz de consciência, que houvesse a cura do meu sagrado feminino e da minha ancestralidade (mãe, avó, etc) e também que eu verdadeiramente descobrisse minha força. E assim é.
Levamos nossa oferenda até a fogueira e então Pachamama pode comê-la em paz. O fogo é intermediário entre a Terra e o Céu, levando as cinzas para o alto e transformando a matéria em algo novo. A noite estava incrivelmente linda e estrelada. Foi maravilhoso. Sintam um pouco da energia:





E assim se encerrou o primeiro dia do nosso retiro. Muita coisa, né? E só estava começando. O Peru é um país de muita energia feminina e ter ido pra lá foi um presente. Realmente um resgate do feminino sagrado e uma chuva de bençãos de Pachamama. Tudo aconteceu muito rápido, mas tudo aconteceu como deveria acontecer e cada segundo que eu passava naquele lugar era um aprendizado maravilhoso que levaria para o resto da minha vida.
No próximo post da viagem vocês saberão do segundo dia do retiro.
Até logo!
Evy

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